Live promovida pela ALEC e IMERI mostrou, na prática, como Calculadora de Rentabilidade analisa o retorno dos ativos e usa os números para ajudar a tomar decisões sobre preços, utilização, renovação de frota e novos investimentos
Faturar mais significa necessariamente ganhar mais? Um equipamento com alta procura é sempre um bom investimento? Vale a pena financiar a ampliação da frota? E qual é o momento certo para vender um ativo?
Perguntas como essas estiveram no centro da live realizada pela ALEC, em parceria com a IMERI, no dia 22 de setembro, para apresentar a Calculadora de Rentabilidade, ferramenta desenvolvida para ajudar empresários do setor rental a avaliar o retorno financeiro dos seus ativos e tomar decisões com maior embasamento.
A apresentação foi conduzida por Luis Sandim e Gabriel Rocha, da IMERI, que fizeram uma simulação interativa da ferramenta e mostraram como diferentes variáveis podem alterar significativamente a rentabilidade de um equipamento.
Não basta saber quanto o equipamento fatura
Um dos principais pontos discutidos durante o encontro foi a necessidade de olhar além do faturamento.
Para calcular o retorno de um ativo, a ferramenta considera informações como valor de aquisição, período de permanência na frota, valor estimado de revenda, receita média mensal de locação, taxa de utilização, prazo de recebimento, margem operacional e regime tributário.
A qualidade das informações inseridas é fundamental. Durante a apresentação, foi ressaltado que dados incorretos ou parâmetros mal definidos podem produzir uma leitura distorcida da rentabilidade e, consequentemente, levar a decisões equivocadas.
A proposta é fazer o locador responder a uma pergunta essencial: o capital investido naquele equipamento está gerando um retorno compatível com o esforço, o risco e os recursos envolvidos na operação?
Um equipamento pode faturar bem e ainda assim não ser o melhor investimento
Na simulação apresentada durante a live, foi utilizado como exemplo um equipamento adquirido por R$ 200 mil, com permanência prevista de cinco anos na frota e valor estimado de revenda de R$ 70 mil. Também foram considerados receita média mensal de R$ 20 mil e taxa de utilização de 80%.
Nesse cenário, a calculadora apontou um retorno sobre o ativo de 41% ao ano. O exercício serviu para demonstrar que conhecer esse percentual permite ao empresário comparar o desempenho do ativo com o custo do capital e com outras possibilidades de investimento.
Essa análise também é importante na hora de decidir pela contratação de crédito para ampliar a frota. Se o custo do dinheiro captado for superior ao retorno proporcionado pelo equipamento, a expansão pode destruir, em vez de gerar, valor para a empresa.
Pequenas mudanças podem produzir grandes resultados
Outro ponto demonstrado na prática foi como alterações aparentemente pequenas podem modificar o resultado financeiro de um ativo.
No exemplo utilizado, quando o valor médio mensal de locação passou de R$ 20 mil para R$ 24 mil, a rentabilidade calculada subiu de 41% para 51%. A demonstração também mostrou que mudanças na taxa de utilização, margem operacional, vida útil, preço de aquisição e valor de revenda interferem diretamente no retorno.
Entre as possibilidades discutidas para melhorar a rentabilidade estão o aumento do preço médio de locação sem comprometer a utilização, ações comerciais para elevar a ocupação dos equipamentos, negociação com fornecedores, melhoria da margem operacional, compras em escala e análise mais criteriosa do momento de vender cada ativo.
O debate mostrou ainda que não existe uma única fórmula. Cada locadora precisa analisar seus equipamentos, seu mercado e sua estrutura de custos para descobrir quais alavancas fazem mais sentido para o negócio.
Quando vender também faz parte da conta
A renovação da frota ganhou espaço na discussão.
Durante a live, Erick Souza compartilhou uma experiência com betoneiras, utilizando uma análise do ciclo de vida dos equipamentos para avaliar payback e o melhor momento para substituição.
No caso apresentado, equipamentos próximos de oito ou nove anos de uso conseguiam ser revendidos por valores equivalentes a 70% ou 80% do preço considerado na análise. Associando a venda dos seminovos à negociação de compras em escala, a empresa conseguiu estruturar a renovação sem provocar uma descapitalização significativa.
O exemplo reforçou uma das mensagens do encontro: a rentabilidade não termina quando o contrato de locação acaba. Compra, utilização, manutenção, preço de locação, tempo de permanência na frota e revenda fazem parte da mesma equação.
Rental brasileiro ainda tem espaço para crescer
Antes da demonstração da calculadora, a IMERI apresentou também uma análise do mercado de locação.
Entre os fatores apontados para sustentar o desenvolvimento do setor estão os investimentos em infraestrutura, saneamento, rodovias, ferrovias e mineração, além do avanço da terceirização de equipamentos pelas empresas. Na apresentação, o mercado brasileiro de rental foi estimado em aproximadamente R$ 50 bilhões.
Alguns segmentos mostram o potencial dessa expansão. No caso das plataformas elevatórias, por exemplo, foi apresentado um crescimento de aproximadamente 40 mil unidades em 2023 para cerca de 50 mil em 2025/2026, com projeção de chegar a 70 mil unidades em 2030.
Já na linha amarela, apenas cerca de 25% das máquinas seriam destinadas à locação no Brasil, contra aproximadamente 60% no exterior, segundo os dados apresentados pela IMERI. O mercado de intralogística, que inclui empilhadeiras e transpaleteiras, foi estimado em R$ 14 bilhões.
Conhecer os números para decidir melhor
A discussão trouxe à tona também uma realidade conhecida dos locadores: nem sempre é possível definir preços apenas a partir dos custos, porque o próprio mercado exerce forte influência sobre os valores praticados.
Mas conhecer detalhadamente os números muda a qualidade da decisão.
Mesmo quando o empresário não consegue cobrar o preço considerado ideal, saber exatamente quanto cada equipamento custa e quanto retorna permite avaliar se vale a pena mantê-lo no mix, alterar a estratégia comercial, aumentar sua utilização, rever custos ou até descontinuar uma linha deficitária.
A Calculadora de Rentabilidade surge justamente como apoio para transformar dados operacionais em informação para gestão.
Porque, no rental, não basta saber quanto um equipamento fatura. É preciso saber quanto ele realmente deixa de resultado e se o capital investido nele está trabalhando a favor da empresa.
A gravação da Live está disponível na área restrita do Portal ALEC para os assocaidos.
Leia mais
Decisões que dão lucro: o que os números estão tentando mostrar
ALEC amplia fronteiras e busca locadoras que ainda estão fora do associativismo