Cimento mantém ritmo de alta nas vendas em agosto

A indústria brasileira de cimento comercializou 6,1 milhões de toneladas em agosto de 2026, alta de 1,9% em relação ao mesmo mês do ano anterior, segundo o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). No acumulado de janeiro a agosto, as vendas alcançaram 45 milhões de toneladas, crescimento de 1,8% na comparação anual. O despacho por dia útil totalizou 261 mil toneladas, com avanço de 1,9% ante agosto de 2025 e elevação de 4,7% em relação a julho deste ano.

O resultado mantém a trajetória positiva das vendas em um ambiente de desaceleração gradual da atividade econômica. O mercado de trabalho ainda aquecido e a dinâmica da habitação, especialmente por meio do Minha Casa, Minha Vida, permanecem como importantes vetores de demanda do insumo. Juros elevados, inadimplência e endividamento das famílias e menor confiança dos consumidores e das empresas indicam um cenário de maior cautela para os próximos meses.

A taxa de desemprego encerrou julho em 5,3%, menor patamar para o mês desde o início da série histórica, em 2012. O número de pessoas ocupadas renovou o recorde, alcançando 103,3 milhões. A taxa de informalidade ficou em 37,5%, próxima dos níveis observados nos meses anteriores. O rendimento do trabalhador manteve-se estável, indicando sinais iniciais de desaceleração do mercado de trabalho.

No mercado imobiliário, os lançamentos recuaram 0,3% no primeiro semestre de 2026, enquanto as vendas cresceram 5,4%. O desempenho do programa Minha Casa, Minha Vida foi melhor. Os lançamentos avançaram 7,9% e as vendas aumentaram 15,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O programa representou 58% dos lançamentos imobiliários no segundo trimestre, maior participação desde o início da série histórica, e permanece entre as principais fontes de consumo de cimento.

Mesmo com os juros elevados, o financiamento habitacional apresentou expansão. O número de unidades financiadas para construção pelo Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo cresceu 174% no primeiro semestre, em relação ao mesmo período de 2025. O movimento reflete o novo modelo do SBPE, com redução gradual do compulsório, maior utilização do mercado de capitais como fonte de recursos para operações imobiliárias, aumento do teto do valor dos imóveis, com permissão de utilização de múltiplos financiamentos por CPF e ampliação do crédito financiado.

O Produto Interno Bruto brasileiro cresceu 0,5% no segundo trimestre de 2026, na comparação com os três primeiros meses do ano, abaixo das expectativas. Com esse resultado, a economia acumulou avanço de 1,9% nos últimos quatro trimestres, enquanto a produção de bens e serviços totalizou R$ 3,4 trilhões no período. A desaceleração do crescimento trimestral requer atenção, especialmente ao desempenho da construção, infraestrutura e indústria, além da evolução dos investimentos, áreas diretamente relacionadas à demanda por cimento.

O cenário de crescimento mais moderado também afeta as expectativas dos consumidores, do setor da construção e da indústria. Os indicadores de confiança apontam maior cautela para o segundo semestre. A expectativa do consumidor1 caiu pelo quarto mês consecutivo em agosto, com piora homogênea entre as faixas de renda. A intenção de compras de bens duráveis e a avaliação sobre a situação financeira das famílias apresentaram quedas relevantes, sinalizando menor disposição para o consumo.

Na construção civil, a confiança2 também recuou, com comportamento heterogêneo entre os segmentos. Edificações residenciais, obras de arte especiais e obras de instalações registraram melhora no ambiente de negócios. Edificações não residenciais, obras viárias e acabamento apresentaram deterioração das expectativas.

Na perspectiva da indústria do cimento há um notável avanço na implantação de soluções de pavimento de concreto para rodovias e vias urbanas, iniciativa que está em andamento em mais de 200 municípios do país.

A confiança da indústria3 registrou a maior queda desde agosto do ano passado. O resultado reflete a instabilidade relacionada às novas tarifas de importação dos Estados Unidos, o arrefecimento da demanda, o acúmulo de estoques e as incertezas associadas à desaceleração da atividade econômica, a questão fiscal e o início do calendário eleitoral.

As estimativas de inflação permanecem elevadas. Segundo as projeções de mercado, a inflação deve encerrar o ano novamente acima da meta. A projeção para a taxa Selic no fim de 2026 passou de 12% no início do ano para 13,75%, refletindo as incertezas externas e internas, a preocupação com a trajetória dos preços do petróleo e seus efeitos sobre os custos e o agravamento do desequilíbrio fiscal.

A capacidade de consumo das famílias segue comprometida pelo endividamento e pela inadimplência, agravado pela crescente ascensão das apostas on-line. Apesar das pressões sobre o orçamento familiar, o setor cimenteiro segue otimista com a sazonalidade das vendas. Historicamente, o produto apresenta melhor desempenho de vendas no segundo semestre, período que pode favorecer a continuidade da demanda associada ao mercado de trabalho, à habitação popular e aos investimentos em infraestrutura.

A indústria do cimento acompanha com preocupação as discussões sobre a PEC que propõe o fim da jornada na escala 6×1. A proposta segue em análise no Senado Federal, e uma eventual mudança na legislação trabalhista poderá elevar significativamente os custos de operação da indústria. Ao mesmo tempo, o setor tem um papel relevante no desenvolvimento do país o que levou a elaborar uma série de propostas para os candidatos aos governos federal e estaduais, com soluções de aplicação imediata nas áreas de infraestrutura, sustentabilidade e descarbonização, além de iniciativas relacionadas à gestão de resíduos e ao uso de materiais recicláveis. Essas medidas podem contribuir para sustentar o desempenho da indústria nos próximos anos, uma atividade estratégica para o desenvolvimento e o crescimento da economia. 

Paulo Camillo Penna – Presidente do SNIC

VENDAS – TABELA E GRÁFICO

Tabela

Gráfico

Fonte: Assessoria de Imprensa

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