Mão de obra segue pressionando custos e despesas, enquanto a confiança avança com sinais de retomada da demanda e dos investimentos no setor
A escassez de mão de obra segue pressionando os custos da construção civil e também impacta a percepção das empresas sobre o cenário atual e futuro. Divulgados hoje pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), o Índice Nacional de Custo da Construção–M (INCC-M) e a Sondagem da Construção mostram um setor ainda pressionado, mas com expectativas em recuperação.
O INCC-M subiu 0,36% em março, com aceleração em relação a fevereiro, mantendo a trajetória de alta puxada principalmente pelos custos com mão de obra. No acumulado de 12 meses, o índice avançou 5,81%. Em São Paulo, a variação foi de 0,37% no mês, e de 6,65% em 12 meses.
A pressão vem, sobretudo, do componente de mão de obra, que voltou a acelerar no período. Já os custos com materiais, equipamentos e serviços apresentaram comportamento mais moderado, indicando alguma acomodação nos preços de insumos.
“A construção civil inicia o ano com sinais mistos: os custos seguem pressionados, especialmente pela mão de obra, que continua sendo um dos principais desafios do setor, enquanto os indicadores de confiança mostram uma melhora nas expectativas, diante da perspectiva de aumento da demanda e novos investimentos. O cenário da inflação dos insumos ficou mais preocupante com a escalada dos preços do petróleo que incidem não somente no frete mas no processo industrial de vários materiais usados na construção”, afirma Eduardo Zaidan, vice-presidente de Economia do SindusCon-SP.
Esse ambiente também se reflete na Sondagem da Construção. O Índice de Confiança da Construção (ICST) avançou em março, recuperando parte da queda observada no mês anterior. Segundo Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da Construção do FGV Ibre, o setor segue em transição: “Embora o cenário atual do setor siga marcado por pessimismo moderado, com a escassez de mão de obra sendo um dos principais entraves aos negócios, o primeiro trimestre registra resultados mais favoráveis que os do último trimestre de 2025, confirmando projeções de retomada do crescimento.”
Ela também destaca a melhora das expectativas entre os segmentos. “Na comparação com o último trimestre de 2025, houve avanço dos indicadores de forma disseminada entre os segmentos setoriais, alavancada, especialmente por um maior otimismo em relação à demanda esperada para os próximos meses. O setor de infraestrutura mostrou maior otimismo, impulsionado pela expectativa de crescimento em 2026 com base em investimentos privados já contratados e no ciclo eleitoral”, comenta.
Nos componentes da sondagem, houve uma melhora discreta na percepção das empresas, tanto em relação à situação atual quanto às expectativas. Os indicadores ligados ao nível de atividade e à carteira de contratos avançaram, assim como as projeções para a demanda e para os negócios nos próximos meses. O aumento, ainda que moderado, do otimismo já se reflete no mercado de trabalho, cresceu o número de empresas que pretendem ampliar suas equipes, movimento associado à expectativa de maior demanda no curto prazo.
Fonte: Assessoria de Imprensa
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