Gestão não é um custo. É sobrevivência.

Por muitos anos, o sistema de gestão desempenhou um papel auxiliar nas locadoras. Necessário, mas não vital. Uma espécie de “mal necessário” para organizar contratos, gerar faturas e gerenciar equipamentos. Essa visão não é apenas obsoleta, acredita Claudio Roberto Duarte, Diretor Presidente da DN4 — é perigosa.

Com mais de 30 anos desenvolvendo sistemas para o setor, Claudio acompanhou a evolução das locadoras. E, apesar de toda a transformação tecnológica, uma coisa permaneceu constante: a necessidade de controle, organização e informação de qualidade.

O que mudou foi a velocidade do jogo.

Se antes a gestão estava concentrada no controle básico de movimentações e faturamento, hoje ela exige integração, agilidade e capacidade analítica. A mobilidade trouxe os aplicativos para dentro da operação, encurtando processos e exigindo decisões cada vez mais rápidas. Ao mesmo tempo, o aumento da concorrência reduziu margens e elevou o nível de exigência.

É nesse cenário que muitas locadoras ainda cometem um erro silencioso — e caro.

O erro invisível que corrói o resultado

Um dos equívocos mais comuns no setor é enxergar o sistema de gestão como custo, e não como investimento estratégico.

O problema é que essa visão ignora aquilo que não aparece claramente no resultado: os custos invisíveis.

Faturamentos incorretos, equipamentos extraviados, avarias não cobradas, consumo excessivo de combustível, retrabalho operacional. Pequenas perdas que, isoladamente, parecem irrelevantes, mas que, somadas, corroem o resultado da empresa.

Ou, como resume Claudio: o lucro da locadora não desaparece. Ele escorre.

E escorre, principalmente, pela operação — muitas vezes de forma quase imperceptível no dia a dia.

Equipamentos, acessórios e ferramentas que se perdem ao longo das locações. Atendimentos que poderiam ser resolvidos em uma única visita, mas acabam exigindo duas, três ou mais deslocações. Máquinas que param por falta de manutenção preventiva e impactam diretamente o faturamento — às vezes, inclusive, gerando multas contratuais.

O mais crítico é que, na maioria das vezes, essas perdas não são tratadas como deveriam.

Sem visibilidade clara, não há reação. Sem reação, não há melhoria.

Por isso, Claudio chama atenção para um ponto-chave: acompanhar a lucratividade dos contratos durante sua execução.

Quando o gestor só descobre o resultado no final, o que ele tem em mãos não é gestão — é apenas a “fotografia do acidente”. Não há mais espaço para corrigir rota, ajustar processos ou recuperar margem.

Gestão de verdade acontece durante o jogo, não depois do apito final.

Mais locadoras, mais pressão

O crescimento acelerado do número de locadoras no Brasil trouxe um efeito inevitável: mais concorrência.

Isso não significa um achatamento da gestão, mas uma mudança de perfil. Novas empresas já nascem com tecnologia no radar, mas esperam soluções mais simples, rápidas e acessíveis.

Esse cenário impõe um desafio duplo: simplificar sem perder profundidade e, ao mesmo tempo, fazer o locador entender que gestão não é plug and play.

Não basta ter sistema. É preciso usar — e usar com intensidade.

Tecnologia não é área. É estrutura

Hoje, a tecnologia atravessa toda a operação: financeiro, comercial, manutenção e logística.

Mas é na operação que ela mais impacta o resultado.

Controle de manutenção preventiva, rastreabilidade de equipamentos, registro de entrega e devolução, gestão de avarias — são esses pontos que evitam perdas e aumentam a eficiência.

Em um mercado mais competitivo, eficiência deixou de ser diferencial. Virou requisito.

Reforma Tributária: o divisor de águas

A Reforma Tributária eleva ainda mais o nível de exigência.

A nova lógica de precificação exige dados confiáveis, integração entre áreas e capacidade analítica. Não se trata apenas de emitir corretamente documentos fiscais, mas de entender profundamente os custos e como eles impactam o preço.

E aqui mora um risco real: a subestimação. Enquanto algumas locadoras já estão revisando cenários e se preparando, outras ainda não dimensionaram o impacto. Para Claudio, esse é o maior perigo.

Quem não se antecipar pode perceber tarde demais — quando o impacto já estiver no caixa.

Quem cresce e quem fica

Nos próximos anos, o que vai separar as locadoras que crescem das que ficam pelo caminho não será o tamanho da frota. Será a qualidade da gestão.

Em um ambiente de margens mais apertadas, qualquer perda importa. E quem não tiver controle, informação e capacidade de decisão rápida dificilmente conseguirá sustentar o negócio.

Porque, no fim, o resultado não depende só do mercado. Depende daquilo que você consegue enxergar — e corrigir — antes que comece a escorrer.

Fonte: Rental News

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