O SindusCon-SP realizou, na quarta-feira (12/08), em conjunto com o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE), a Reunião de Conjuntura Econômica de agosto, que acompanha o desempenho da construção civil e reúne indicadores de atividade, emprego, custos, crédito e mercado imobiliário. Na abertura, o presidente-executivo da entidade e responsável pela área econômica, Eduardo Zaidan (foto), comentou que tem a sensação de que o país está entrando em um “inverno econômico”, com vários indicadores mostrando que o nível de atividade está baixando.
PIB da construção
Na apresentação do balanço do primeiro semestre, Ana Maria Castelo, coordenadora de Projetos da FGV IBRE, apontou que a estimativa do crescimento do PIB da Construção Civil para o 1º semestre de 2026, sobre igual período do ano passado, é de 0,6%.
O resultado veio acompanhado de alta no emprego da construção, no rendimento médio e no consumo de cimento. Na outra ponta, a produção física de materiais recuou e o volume de vendas no varejo caiu no período.
Emprego cresce
O emprego na construção cresceu 3% no Brasil entre dezembro de 2025 e junho de 2026. Em São Paulo, o número de trabalhadores com carteira assinada avançou 2,1% no mesmo período.
Entre as regionais do SindusCon-SP, o desempenho também foi desigual. Lideraram o crescimento as regionais de Santos, Sorocaba e São José do Rio Preto. Também fecharam o período com crescimento São Paulo (capital), Mogi das Cruzes e Santo André. Na outra ponta, houve retração em Ribeirão Preto, Campinas, Bauru, São José dos Campos e Presidente Prudente.
Consumo de cimento avança 2,3%
No primeiro semestre, o consumo de cimento no Brasil cresceu 2,3%. Todas as regiões registraram aumento, com exceção do Sudeste, principal mercado consumidor do país, que ficou estável no período.
INCC
O INCC-DI acumulou alta de 4,91% no Brasil e de 5,19% em São Paulo no ano, até julho. Em 12 meses, as variações foram de 6,44% e 6,97%, respectivamente. Entre os componentes, o maior aumento no país foi o de tubos e conexões de PVC e, no estado, o de condutores elétricos.
Mercado imobiliário mantém expansão em São Paulo
O mercado imobiliário residencial da cidade de São Paulo apresentou crescimento entre janeiro e maio. Os lançamentos aumentaram 10,6% e as vendas cresceram 3,9% em relação ao mesmo período de 2025.
Millennials e Geração Z
Os dados apresentados também mostraram a participação das diferentes gerações nos contratos habitacionais. Em uma base de 571.592 contratos realizados entre 2016 e 2025, os millennials responderam por 54,43% dos contratos da Faixa 1, 61,89% da Faixa 2 e 59,13% da Faixa 3. A Geração Z representou 31,01% dos contratos na Faixa 1, 17,57% na Faixa 2 e 18,02% na Faixa 3.
Mão de obra qualificada lidera preocupações das empresas
A Sondagem da Construção mostrou que a escassez de mão de obra qualificada continua entre os principais fatores que limitam a melhora dos negócios. Na série mais recente, de julho de 2026, o item foi apontado por 37,9% das empresas, seguido pelo custo de mão de obra (24,0%), demanda insuficiente (23,3%), competição no próprio setor (22,9%) e custo de matéria-prima (16,7%).
Para o presidente do SindusCon-SP, Yorki Estefan, o cenário também se reflete nas decisões de investimento. “Para o futuro, se a Caixa Econômica Federal não entrar no crédito para habitação de média renda, vamos continuar praticamente no mesmo lugar ou ter uma evolução muito gradativa, que fica dependendo da queda dos juros”.
Cenário macroeconômico e eleitoral
Na parte final da reunião, o economista da FGV Robson Gonçalves abordou o cenário internacional e a economia brasileira. A projeção do Boletim Focus apresentada para o PIB brasileiro em 2026 é de 1,98%.
Sobre o início do período eleitoral, Gonçalves afirmou que a política habitacional deveria ser um tema sobre o qual os candidatos à Presidência deveriam se manifestar. “Estamos presenciando algo muito particular nestas eleições. Nenhum dos candidatos à Presidência tem apresentado propostas ou colocado no centro do debate temas como a economia e a política habitacional, fundamentais para o país. O ideal seria discutir o que foi feito, o que pretendem fazer e o que pode ser aprimorado. Mas esse debate não está acontecendo. A ausência de propostas sobre habitação e financiamento gera perplexidade. O empresariado não tem como estar satisfeito”, finalizou Gonçalves.
Fonte: Assessoria de Imprensa
Leia mais
Infraestrutura impulsiona empregos e ajuda a sustentar crescimento da construção no Brasil
Máquinas em ação, inovação e negócios: ARENA M&T está com credenciamento aberto