Alugar São Paulo reúne o setor rental para discutir os desafios que já estão transformando as locadoras

Em sua 6ª edição, Alugar São Paulo encontro promovido pela ALEC abordou Reforma Tributária, captação de recursos e retenção de profissionais, reunindo conhecimento, troca de experiências e networking na sede da TOTVS.

A 6ª edição do Alugar São Paulo, realizada no dia 27 de agosto, na sede da TOTVS, colocou em pauta três questões decisivas para o futuro das locadoras: como se preparar para a Reforma Tributária, onde buscar recursos para financiar o crescimento e o que fazer para atrair, desenvolver e reter bons profissionais.

Promovido pela ALEC, o encontro reuniu empresários, gestores e profissionais do mercado rental para uma tarde de conteúdo, atualização e relacionamento. Mais do que apresentar tendências, as palestras trouxeram orientações práticas para desafios que já fazem parte da rotina das empresas.

A abertura foi conduzida pela presidente da ALEC, Monica Zambolini, que destacou a importância de criar espaços nos quais os locadores possam ampliar seus conhecimentos, compartilhar experiências e encontrar caminhos para tomar decisões mais seguras.

Reforma Tributária exige preparação imediata

A primeira palestra técnica, “Reforma Tributária na Locação”, foi apresentada por Paulo Henrique Souza, fundador da AUDITLocOne, empresa contábil especializada no setor de locação.

Durante a apresentação, ele mostrou que as mudanças não estarão restritas ao recolhimento dos tributos. A Reforma Tributária terá reflexos nos sistemas de gestão, na emissão de documentos fiscais, nos controles internos, no fluxo de caixa e, principalmente, na formação dos preços praticados pelas locadoras.

Entre os pontos abordados estiveram as novas obrigações fiscais, a importância da inscrição estadual, as mudanças na emissão dos documentos, a classificação tributária das operações e o split payment, mecanismo pelo qual o valor correspondente ao imposto poderá ser direcionado ao governo no momento da liquidação financeira.

Essa nova dinâmica exige atenção especial ao caixa. O valor faturado pela locadora não será necessariamente o valor que estará disponível para sustentar a operação, pagar despesas e financiar novos investimentos.

Paulo Henrique também reforçou que a precificação não poderá continuar baseada apenas na experiência, na percepção do empresário ou nos preços praticados pela concorrência. Será necessário conhecer com precisão os custos, os créditos tributários disponíveis, a depreciação dos equipamentos e a realidade de cada contrato.

A escolha do regime tributário e o impacto das mudanças para as empresas enquadradas no Simples Nacional também fizeram parte da discussão. A mensagem foi clara: esperar a Reforma entrar em vigor para começar a se preparar pode custar caro. Sistemas, cadastros, processos e controles patrimoniais precisam ser revistos desde já.

Capital certo para cada momento da empresa

Na palestra “Desmistificando a Captação de Recursos”, Luis Sandim da Imeri Capital, mostrou que o acesso ao capital não deve ser visto apenas como uma solução para empresas em dificuldade. Quando bem estruturado, ele pode financiar a expansão da frota, apoiar aquisições, fortalecer o capital de giro, alongar dívidas e preparar a locadora para novos ciclos de crescimento.

Sandim apresentou um panorama do mercado de locação e destacou seu potencial de expansão. A terceirização do uso de máquinas e equipamentos continua avançando, enquanto diferentes segmentos ainda apresentam espaço para ampliar a participação da locação no Brasil.

Nesse cenário, o capital pode iniciar um ciclo virtuoso: a empresa investe em equipamentos, aumenta sua capacidade de atendimento, conquista novos clientes, gera mais caixa e amplia sua possibilidade de reinvestimento.

A apresentação também explicou as diferenças entre duas alternativas de captação. A entrada de um novo sócio ou equity, pode trazer recursos de longo prazo, conhecimento, governança e acesso a novos mercados, mas envolve participação societária. Já o crédito preserva o controle dos atuais sócios, porém exige capacidade de pagamento e pode envolver garantias e aumento do endividamento.

Outro ponto destacado foi que os recursos não estão somente nos grandes bancos. Bancos médios, fundos de crédito, investidores estratégicos, fundos de investimento e family offices também podem fazer parte das alternativas disponíveis, dependendo do porte, da estrutura e dos objetivos da empresa.

Para acessar essas fontes, entretanto, a locadora precisa estar organizada. Receita recorrente, margens consistentes, fluxo de caixa previsível, carteira diversificada, contratos de qualidade, processos estruturados, boa gestão e controle do endividamento estão entre os aspectos observados por investidores e credores.

A recomendação foi não conduzir o negócio a partir de um produto financeiro previamente escolhido. Antes de contratar uma linha de crédito ou buscar um investidor, o empresário deve entender para que precisa do dinheiro, em quanto tempo espera obter retorno e qual estrutura é compatível com a capacidade financeira da empresa.

Em síntese: o capital precisa ser captado na estrutura certa e no momento adequado.

Pessoas são os ativos mais difíceis de substituir

Encerrando a programação, Luiz Eduardo Milanezi apresentou a palestra “Reter para Crescer: como proteger os seus melhores ativos”. O conteúdo partiu de uma pergunta provocadora: se o empresário permanecer 15 dias afastado, sua locadora continuará funcionando bem, sem depender dele para cada decisão?

A reflexão mostrou que a retenção de profissionais não é apenas uma questão de recursos humanos. Ela está diretamente relacionada à capacidade da empresa de crescer, manter seus padrões de atendimento e reduzir a dependência do proprietário na operação.

Quando um bom funcionário deixa a locadora, a perda vai muito além das despesas de desligamento e contratação. Saem com ele o conhecimento sobre os clientes, a frota e os processos, a velocidade para resolver problemas, a confiança construída nos relacionamentos e a capacidade de transmitir conhecimento aos novos integrantes da equipe.

Milanezi destacou que equipamentos podem ser comprados, mas o conhecimento específico sobre locação precisa ser formado ao longo do tempo. Por isso, a saída de uma pessoa-chave pode reduzir a qualidade das cotações, comprometer a oficina, a logística e o atendimento e obrigar o empresário a retornar a funções que acreditava já ter delegado.

A retenção começa ainda no processo seletivo. Mais do que contratar alguém somente pelo tempo de experiência, é necessário avaliar a capacidade de aprender, o raciocínio, a disciplina, a comunicação e a aderência ao comportamento exigido pela função. Entrevistas estruturadas e testes práticos podem tornar essa escolha mais segura.

O palestrante também defendeu que reter talentos exige um sistema composto por seleção adequada, reconhecimento, feedback, bonificação, perspectivas de carreira e liderança preparada. A chamada entrevista de permanência, realizada enquanto ainda existe tempo para agir, pode ajudar o gestor a descobrir o que motiva o profissional, quais dificuldades enfrenta e o que poderia levá-lo a aceitar uma proposta de outra empresa.

Planos de carreira não precisam ser complexos, mas devem mostrar com clareza quais competências e resultados são necessários para avançar. Isso vale para vendas, manutenção, logística, administração e financeiro. As promoções, por sua vez, devem ser baseadas em competência, atitude e desempenho, e não somente no tempo de empresa.

Outro alerta importante foi direcionado à liderança. Muitas vezes, o profissional não deixa a empresa, mas o gestor. Cobranças sem orientação, promessas não cumpridas, mudanças frequentes de regras, correções feitas em público e a falta de reconhecimento afastam justamente as pessoas que as locadoras mais precisam preservar.

Gestão preparada para uma nova realidade

As três palestras, embora tenham tratado de temas diferentes, convergiram para uma mesma conclusão: crescer de maneira sustentável exige organização.

A Reforma Tributária demanda sistemas, controles e uma precificação mais técnica. A captação de recursos exige informações confiáveis, previsibilidade e clareza sobre os objetivos da empresa. A retenção de talentos depende de processos, liderança e perspectivas de desenvolvimento.

Ao reunir esses conteúdos em sua 6ª edição, o Alugar São Paulo reforçou o compromisso da ALEC de aproximar os locadores de informações capazes de apoiar decisões mais seguras. O encontro também proporcionou momentos de networking e troca de experiências, fortalecendo a conexão entre profissionais que enfrentam desafios semelhantes em diferentes empresas.

Em um mercado que passa por transformações tributárias, financeiras e humanas, improvisar se torna cada vez mais arriscado. As locadoras que se prepararem, estruturarem seus processos e cuidarem de seus melhores ativos estarão mais prontas para aproveitar as oportunidades do próximo ciclo de crescimento.

Leia mais