Live da ALEC reuniu mais de 90 pessoas no Instagram para discutir contratação, integração e liderança nas locadoras, com o especialista Rodrigo José
Uma vaga aberta, a equipe sobrecarregada e o gestor sem tempo para selecionar com calma. A contratação acontece na urgência, o novo profissional começa a trabalhar sem orientação suficiente e, pouco tempo depois, a empresa precisa recomeçar o processo. Como interromper esse ciclo?
Esse foi um dos desafios debatidos na live sobre Retenção de Talentos promovida pela ALEC em 20 de outubro. A transmissão reuniu mais de 90 pessoas no Instagram da associação, em uma conversa com Rodrigo José, CEO da Lifecraft, conduzida por Monica Zambolini e Marot Gandolfi.
O encontro abordou uma das dores mais presentes no cotidiano dos locadores: encontrar profissionais, preparar quem chega e construir condições para que as pessoas queiram permanecer. A discussão passou por seleção, reconhecimento, desenvolvimento e pelo papel da liderança nessa relação.
Olhar para dentro antes de buscar fora
Antes de procurar o candidato ideal, a locadora precisa avaliar o que oferece como ambiente de trabalho. Como as tarefas são orientadas? O que se espera de cada profissional? Os valores anunciados pela empresa aparecem nas decisões do dia a dia?
Uma das reflexões da conversa foi justamente que missão, visão e valores precisam sair do quadro na parede. Eles devem orientar a maneira de contratar, ensinar, cobrar e reconhecer a equipe.
Para as pequenas locadoras, essa organização também faz parte do planejamento do crescimento. “Hoje você está pequeno, mas onde você quer chegar?” A provocação convida o empresário a pensar na empresa que deseja construir e nas pessoas que serão necessárias para chegar lá.
A urgência não pode definir a contratação
A recomendação de olhar para dentro também se aplica à definição da vaga. Ter uma descrição do cargo ajuda a esclarecer responsabilidades, competências necessárias e expectativas, tanto para quem contrata quanto para quem será contratado.
Na conversa, três aspectos receberam atenção: caráter, competência e combinação — a compatibilidade entre o profissional, a função e a forma de trabalhar da empresa. A experiência técnica, sozinha, não responde a todas essas questões.
“Não contrate quem você não pode demitir” foi outra provocação apresentada. A reflexão chama a atenção para contratações em que vínculos pessoais ou compromissos prévios dificultem uma avaliação profissional e decisões posteriores.
Também foi discutida a orientação de “demorar para contratar e demitir rápido”. O ponto é dedicar cuidado à seleção, evitando que a pressa para preencher uma vaga substitua a análise do perfil, e enfrentar os desencontros identificados com clareza e responsabilidade.
Integrar é ensinar antes de cobrar
A chegada de um colaborador exige mais do que apresentar o espaço e indicar uma tarefa. Nos primeiros dias, a prioridade deve ser a orientação, sem colocar a pessoa imediatamente para executar atividades sozinha.
Uma sequência simples apresentada durante a live resume esse processo: primeiro, o responsável faz e o novo profissional observa; depois, o profissional faz acompanhado; por fim, realiza a atividade com autonomia.
Essa passagem gradual permite explicar procedimentos, corrigir dúvidas e verificar se houve aprendizado. Na locadora, isso significa dedicar tempo para ensinar como a empresa atende, organiza sua operação e cuida dos equipamentos e dos clientes.
A construção do entendimento sobre o cargo começa na entrevista e continua diariamente. As expectativas precisam ser reforçadas nas orientações e nas conversas, acompanhando o desenvolvimento de cada pessoa.
Liderança se faz com proximidade
A preparação de líderes também esteve na pauta. Saber executar bem uma atividade não significa, automaticamente, saber orientar uma equipe. Liderar envolve acompanhar, perceber sinais de desmotivação, reconhecer contribuições e conduzir conversas difíceis com respeito e clareza.
Para empresas com estruturas pequenas e poucos cargos de chefia, o debate sobre reconhecimento e desenvolvimento ganha ainda mais importância. A relação com a equipe precisa ser cuidada antes que a insatisfação se transforme em pedido de demissão.
A conversa reforçou uma ideia que conecta a gestão de pessoas à essência do setor: máquinas são locadas por gente para gente. Por trás de cada equipamento há profissionais que atendem, orientam, entregam e mantêm a operação funcionando. Estar perto dessas pessoas é parte do trabalho de quem quer fortalecer a locadora.
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