Fernando, o “cérebro empresarial” criado para enfrentar a falta de mão de obra qualificada e devolver tempo ao dono da locadora
A falta de mão de obra qualificada deixou de ser apenas uma dificuldade pontual e passou a interferir diretamente na capacidade de crescimento das locadoras. Faltam profissionais, o treinamento exige tempo, a rotatividade desgasta as equipes e, muitas vezes, todo o conhecimento da operação continua concentrado no dono ou em poucas pessoas-chave.
É nesse cenário que a inteligência artificial começa a ocupar um espaço muito mais relevante do que o de uma ferramenta tecnológica. Ela surge como apoio para preservar conhecimento, organizar rotinas, reduzir tarefas repetitivas, atender com agilidade e transformar os dados da empresa em decisões. Em um futuro que já está muito próximo, talvez ela não substitua as pessoas, mas pode ser decisiva para que as locadoras consigam continuar crescendo mesmo sem encontrar, no mercado, todos os profissionais de que precisam.
Foi sobre esse novo momento que conversamos com Lucas Nunes, CEO e founder da LBN e criador do Fernando. Com mais de 17 anos de experiência no mercado de locação, Lucas conhece de perto uma realidade muito comum no setor: a locadora cresce, mas o dono continua sendo chamado para resolver tudo. O Fernando nasceu justamente para mudar essa lógica.
“A tecnologia não chega para retirar o valor das pessoas. Ela chega para liberar as pessoas do trabalho repetitivo e permitir que usem melhor aquilo que têm de mais valioso: experiência, relacionamento e capacidade de decisão.”
Quando crescer aumenta o improviso
Em muitas locadoras, o aumento do número de contratos não vem acompanhado, na mesma velocidade, pela estruturação dos processos. A frota se movimenta mais, surgem novas demandas de manutenção, multiplicam-se as mensagens no WhatsApp e aumentam as renovações, cobranças e entregas. A empresa fatura mais, mas o improviso também cresce e começa a consumir margem.
O resultado é conhecido por quem vive o rental: informações espalhadas, disponibilidade incerta, faturamentos sujeitos a falhas, manutenção reativa, sublocações sem o acompanhamento necessário e uma equipe que consulta o dono antes de tomar qualquer decisão. Em vez de conduzir o negócio, o empresário vira o centro de todas as respostas.
Lucas chama atenção para um problema ainda mais profundo: quando o conhecimento da empresa está apenas na cabeça das pessoas, cada ausência, desligamento ou troca de funcionário representa perda de memória operacional. A locadora precisa ensinar tudo novamente. E, num mercado em que contratar já é difícil, recomeçar continuamente custa caro.
Fernando não é apenas um chatbot
Embora seja apresentado como um agente virtual, Fernando foi desenvolvido com uma proposta mais ampla. Segundo Lucas, ele funciona como um Sistema Cognitivo Empresarial – uma espécie de cérebro da locadora, conectado aos dados, aos processos, às regras e ao contexto real da empresa.
Essa diferença é importante. Um chatbot genérico responde perguntas a partir de informações limitadas. O Fernando, por sua vez, foi pensado para compreender como a locadora trabalha, quem são os responsáveis, quais são as rotinas, os contratos em andamento, a posição dos equipamentos, as pendências, os ciclos de faturamento e os indicadores financeiros. A partir desse contexto, pode transformar informação em alerta, análise, atendimento e ação.
Na prática, ele pode consultar contratos e disponibilidade, alertar sobre renovações e pendências, apoiar o atendimento de clientes pelo WhatsApp, automatizar rotinas repetitivas e auxiliar o dono na leitura de margem, riscos e resultados. É como ter uma inteligência disponível para consultar a memória organizada da empresa, sem depender de alguém lembrar onde está cada informação.
“O ERP organiza. O Fernando transforma os dados em ação.”
Antes da inteligência, vem a organização
Não existe inteligência artificial eficiente quando os dados são incompletos, os processos não estão definidos e cada setor trabalha de uma maneira. Por isso, a proposta da LBN combina o Fernando ao SigeAzul, ERP especializado em locação e a um trabalho de engenharia de operações.
O sistema reúne contratos, patrimônio, estoque, movimentações, manutenção, faturamento, cobrança e resultado financeiro em uma única base. O fluxo acompanha a locação desde o orçamento e o contrato até a entrega, a permanência do equipamento no cliente, a manutenção, a renovação, o faturamento e os indicadores. Quando essas etapas conversam, diminui a redigitação, reduz-se a conferência manual e fica mais difícil uma informação importante desaparecer no caminho.
O equipamento também deixa de ser apenas um item cadastrado e passa a ter posição, valor, histórico e situação operacional. Está no estoque? No cliente? Em manutenção? Foi sublocado? Houve avaria? Qual é o seu histórico de movimentações? Essa visibilidade ajuda a evitar compras ou sublocações desnecessárias e reduz o tempo de máquina parada.
O mesmo vale para o financeiro. Faturamento, boletos, notas fiscais, cobranças e DRE precisam estar conectados aos contratos e aos ciclos de locação. Caso contrário, a empresa corre o risco de ter um bom volume de negócios e, ainda assim, perder dinheiro por falhas operacionais que poderiam ser evitadas.
Uma resposta à escassez de profissionais
É aqui que o Fernando se conecta de forma direta com uma das maiores dores atuais do rental. Se é cada vez mais difícil encontrar pessoas prontas, a empresa precisa criar condições para que os profissionais disponíveis produzam melhor, com mais segurança e autonomia.
O agente virtual pode orientar consultas, recuperar informações, lembrar prazos e assumir atividades repetitivas. Isso não elimina a necessidade de uma boa equipe. Ao contrário: permite que o funcionário concentre seu tempo naquilo que exige sensibilidade, negociação, conhecimento técnico e relacionamento com o cliente.
Também reduz a dependência de profissionais que dominam sozinhos determinados processos. Quando regras, responsabilidades e informações passam a fazer parte de uma base empresarial acessível, o conhecimento deixa de pertencer apenas a uma pessoa e passa a ser patrimônio da locadora.
Para o dono, a mudança pode ser ainda mais significativa. Em vez de interromper o dia inúmeras vezes para responder onde está um equipamento, quando vence um contrato ou por que determinado valor não foi faturado, ele passa a receber informações organizadas e apoio para decidir. Deixa, aos poucos, de ser o gargalo da própria empresa.
A inteligência precisa conhecer a locadora
Lucas ressalta que o Fernando não chega pronto em uma caixa. A implantação inclui diagnóstico dos gargalos e riscos, configuração do sistema, migração de dados, treinamento por setor e definição do contexto da inteligência artificial. É nesse processo que o agente aprende as regras, as responsabilidades, os canais e a realidade de cada operação.
Esse cuidado evita um erro comum: acreditar que basta contratar uma tecnologia para transformar a gestão. A inteligência artificial potencializa aquilo que encontra. Se a empresa não sabe como trabalha, não define responsáveis e não registra informações confiáveis, a ferramenta terá pouco a oferecer. Por isso, a implantação é tão importante quanto o software.
A proposta é que o Fernando evolua junto com a locadora. Em uma operação menor, pode apoiar os controles e as consultas internas. Em uma empresa em crescimento, pode atender clientes, dar suporte à equipe e funcionar como assistente do dono. Em estruturas mais complexas, pode apoiar diferentes setores e gestores, ampliando a governança da operação.
A salvação da locação?
Dizer que a inteligência artificial será a salvação da locação pode parecer exagero. Mas, diante da falta de mão de obra qualificada, da dificuldade de reter talentos e da quantidade de conhecimento que ainda se perde diariamente dentro das empresas, talvez a afirmação não esteja tão distante da realidade.
A IA não conserta um equipamento, não substitui a confiança construída com o cliente e não carrega sozinha a experiência de quem conhece o mercado. Mas pode preservar essa experiência, disponibilizar informação no momento certo, reduzir erros, automatizar tarefas e permitir que uma equipe enxuta opere com mais qualidade.
O futuro próximo não será uma disputa entre pessoas e máquinas. Será uma divisão mais inteligente do trabalho. A tecnologia ficará com aquilo que exige repetição, memória, velocidade e análise de grandes volumes de dados. As pessoas continuarão responsáveis pelo julgamento, pela criatividade, pelo relacionamento e pelas decisões que exigem humanidade.
Para as locadoras, a pergunta talvez já não seja se devem usar inteligência artificial, mas quanto tempo ainda podem esperar para começar a organizar seus dados e preparar suas operações para ela. Fernando representa esse movimento: transformar o conhecimento acumulado pela empresa em um cérebro empresarial capaz de apoiar o presente e sustentar o crescimento do futuro.
Fonte: Revista Rental News
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