SindusCon-SP analisa o triênio 2023–2025 do INCC-M

INCC-M mostra custos da construção ainda elevados, com pressão dos serviços contratados, salários e preços de materiais

Em 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção–M (INCC-M) encerrou o ano com variação acumulada de 6,10% em 12 meses, indicando leve desaceleração em relação a 2024, quando o índice havia registrado alta de 6,34%. Ainda assim, os custos da construção civil permaneceram em patamar elevado, especialmente quando comparados a 2023, ano em que o INCC-M avançou 3,32%, evidenciando a intensificação das pressões de custo a partir de 2024.

O grupo Materiais, Equipamentos e Serviços apresentou comportamento heterogêneo ao longo dos últimos três anos. Em 2023, o grupamento acumulou variação modesta de 0,62%, influenciada por quedas pontuais nos preços de insumos. Em 2024, houve aceleração significativa, com alta acumulada de 5,04%, impulsionada principalmente pelo aumento dos preços de materiais para instalação e de insumos estratégicos da construção. Em 2025, o grupo registrou variação acumulada de 3,92%, evidenciando uma desaceleração em relação ao ano anterior, mas ainda mantendo contribuição relevante para o resultado global do índice.

Já o custo com mão de obra manteve-se como um importante fator de pressão sobre o INCC-M ao longo dos últimos três anos. Em 2023, o grupamento acumulou alta de 6,60%, acelerando para 8,24% em 2024 e alcançando 9,23% em 2025, evidenciando um movimento contínuo de encarecimento desse componente no custo da construção.

“O aumento do custo da mão de obra está relacionado, principalmente, à elevação real dos custos dos serviços contratados, além dos reajustes salariais decorrentes dos dissídios. O principal impacto, portanto, vem do encarecimento desses serviços, que tem pressionado de forma consistente os custos da construção”, afirma Yorki Estefan, presidente do SindusCon-SP.

Para o vice-presidente de Economia do SindusCon-SP, Eduardo Zaidan, a trajetória do INCC-M entre 2023 e 2025 revela um quadro persistente de pressão sobre os custos da construção civil, fortemente ancorado na dinâmica da mão de obra, ainda que com sinais recentes de arrefecimento nos preços de materiais. Segundo ele, o movimento reflete mudanças estruturais no mercado de trabalho do setor e a recomposição de preços no período pós-pandemia.

“Esse comportamento reforça a importância de acompanhar continuamente o índice para o adequado planejamento orçamentário, a negociação contratual e a mitigação de riscos nos empreendimentos”, afirma Zaidan.

O INCC-M é um dos principais indicadores para o acompanhamento da evolução dos custos da construção civil no Brasil, ao captar a variação de preços de materiais, equipamentos, serviços e mão de obra utilizados nas obras. O índice é calculado e divulgado mensalmente pela Fundação Getulio Vargas, por meio do FGV IBRE, com acompanhamento e divulgação também pelo SindusCon-SP. Com foco específico na engenharia industrial, o Comitê de Obras Industriais do SindusCon-SP, em conjunto com a área econômica da entidade, está avaliando estudos que permitam obter um indicador econômico próprio de custos da construção voltado a esse segmento, iniciativa que busca ampliar a capacidade de leitura e análise de um mercado com dinâmica distinta da construção tradicional.

Fonte: Assessoria de Imprensa

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