Mercado imobiliário resiste à Selic alta e cresce 15% no primeiro trimestre de 2025

Apesar da taxa Selic ainda se manter em patamares elevados, atingindo 14,75% ao ano no início de 2025, o mercado imobiliário surpreendeu ao registrar crescimento de 15% nas vendas e lançamentos de imóveis no primeiro trimestre do ano, em comparação com o mesmo período de 2024. Os dados são da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).

Outro dado, revelado pela ABRAINC (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias), aponta aumento expressivo no volume de lançamentos nos segmentos de médio e alto padrão. Os dados mais recentes do indicador ABRAINC-FIPE mostram um crescimento de 27,8% nos lançamentos no acumulado dos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, e aumento de 12,3% no valor total das vendas. 

Essa expansão indica que, embora a Selic tenha impacto direto sobre o custo dos financiamentos imobiliários, outros fatores vêm sustentando o bom desempenho do setor, especialmente nos nichos que menos dependem de crédito bancário.

Classe média é a mais afetada

De acordo com João Teodoro, presidente do Conselho Federal de Corretores de Imóveis (Cofeci), os efeitos da Selic alta são sentidos de forma desigual dentro do setor. “Os imóveis de luxo praticamente não são afetados pela Selic, porque pouco ou nada dependem de financiamentos. Já a classe média sofre, porque depende do crédito baseado no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimos (SBPE), que é diretamente impactado pela taxa Selic”, explica.

Além disso, o cenário se agrava porque o rendimento da poupança fica menos atrativo com a Selic em alta, desviando recursos para investimentos mais rentáveis, como o Tesouro Direto. “Além dos juros altos, há falta de funding para a classe média”, destaca.

Em relação ao funding, a ABRAINC destaca a urgência de ampliar as fontes de financiamento para o setor. Entre as medidas necessárias estão: a criação de uma LCI institucional (Letra de Crédito Imobiliário é um investimento de renda fixa emitido pela CAIXA e que tem como lastro uma carteira de empréstimos imobiliários garantidos por hipoteca ou alienação fiduciária mantidos pela instituição), o aumento da exigibilidade de aplicação dos recursos da poupança para 70% em crédito imobiliário, a preservação do FGTS e o fim da antecipação do saque-aniversário. É fundamental avançar com uma ampla reforma administrativa e maior controle dos gastos públicos, criando as bases para uma redução estrutural da taxa de juros no país. Somente com responsabilidade fiscal será possível estimular investimentos sustentáveis, ampliar o acesso à moradia e manter o crescimento consistente da construção civil no Brasil”, alerta o presidente da ABRAINC, Luiz França.

Minha Casa, Minha Vida preserva base popular

No segmento de baixa renda, o impacto da Selic é praticamente nulo. Isso porque o programa Minha Casa, Minha Vida oferece subsídios e juros reduzidos, independentemente das oscilações da taxa básica de juros. O resultado é que essa faixa do mercado continua aquecida, sustentada por políticas públicas de incentivo à moradia popular.

Um estudo produzido pelo Instituto Cidades Responsáveis reforça os desafios causados pela Selic alta. Segundo a análise, uma prestação de financiamento que era de R$ 3.966 em 2021 (com a Selic em 5,5%) saltou para R$ 5.425 em 2025. Já a renda mínima exigida para o financiamento subiu de R$ 13.220 para R$ 18.086. O impacto é direto na capacidade de compra da população e na viabilidade de contratos já assinados.

Fonte: Portal Cimento Itambé

Leia mais

Custo Unitário Básico da Construção subiu 0,65% no Estado de São Paulo

Nova turma do Treinamento de Vendas Online com Luiz Eduardo Milanezi acontece em julho