Apesar de juros elevados e pressão de custos, construção aposta em retomada com base em investimentos em infraestrutura e novo ciclo de crédito habitacional
A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) projeta crescimento de 2% para a construção civil brasileira em 2026. Se confirmada, a alta representará aceleração em relação a 2025, quando a estimativa foi de avanço de 1,3%, e marcará o terceiro ano consecutivo de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) do setor.
De acordo com a economista-chefe da CBIC, Ieda Vasconcelos, o cenário combina desafios e oportunidades. “Será um desempenho melhor do que o observado em 2025, ainda que o ambiente macroeconômico permaneça desafiador”, afirmou ela durante coletiva de imprensa.
O cenário traçado pela entidade combina fatores positivos, como início do ciclo de redução da taxa básica de juros, orçamento recorde do FGTS para habitação e continuidade dos investimentos em infraestrutura, com desafios estruturais, entre eles a elevada carga tributária, o custo da mão de obra e o ritmo mais moderado da economia nacional.
Desaceleração em 2025 e mercado de trabalho resiliente
Dados apresentados pela CBIC mostram que a construção cresceu 1,3% em 2025, sendo que o principal fator de desaceleração foi o patamar elevado da taxa básica de juros. “Os juros no maior nível em quase 20 anos impactaram decisões de investimento e o ritmo de novos empreendimentos”, observa.
Apesar disso, o mercado de trabalho manteve desempenho robusto. O Brasil encerrou 2025 com taxa de desemprego de 5,1%, a menor da série histórica da PNAD Contínua, iniciada em 2012, e com quase 103 milhões de pessoas ocupadas. Na construção, o número de trabalhadores com carteira assinada chegou a 2,945 milhões, alta de 3% em relação a 2024.
Custos pressionados e crédito em transição
Já o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 5,92% em 2025, superando a inflação oficial de 4,26%. O principal vetor foi o custo da mão de obra, que subiu 8,98%. Para Ieda Vasconcelos, esse movimento exige atenção. “A pressão maior veio da mão de obra, reflexo de um mercado de trabalho aquecido. Isso impõe desafios às empresas na gestão de custos”, disse.
No crédito imobiliário, os financiamentos com recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) recuaram 13% em 2025, somando R$ 156 bilhões. Já os recursos do FGTS cresceram 8,75%, alcançando R$ 138 bilhões. A expectativa da CBIC é de melhora gradual nesse cenário, impulsionada por mudanças no modelo de financiamento habitacional.
Infraestrutura mantém papel de sustentação
Os investimentos em infraestrutura alcançaram R$ 280 bilhões em 2025, crescimento de cerca de 3% em relação ao ano anterior, segundo dados da Associação Brasileira da Infraestrutura e Indústrias de Base. Desse total, 84% tiveram origem no setor privado. O segmento foi o único da construção a ampliar o saldo de empregos em relação a 2024, reforçando seu papel como vetor de estabilidade em momentos de menor dinamismo imobiliário.
Ambiente de negócios e fatores que sustentam o crescimento
Além dos indicadores econômicos, a CBIC aponta fatores institucionais e estruturais como determinantes para o desempenho da construção em 2026. A elevada carga tributária passou a ser o principal problema do setor no quarto trimestre de 2025, à frente dos juros altos e da escassez de mão de obra. Ainda assim, a entidade avalia que há fundamentos capazes de sustentar a expansão. “Mesmo com desafios fiscais e um crescimento mais moderado da economia nacional, existem estímulos importantes em curso, como o orçamento recorde do FGTS para habitação, a continuidade das obras de infraestrutura e programas voltados à moradia”, afirmou Ieda Vasconcelos.
A combinação entre crédito direcionado, investimentos públicos e privados e demanda habitacional reprimida sustenta a expectativa de que a construção civil volte a ganhar tração em 2026, mantendo-se como um dos setores com maior capacidade de geração de
Fonte: Ieda Vasconcelos é economista-chefe da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) empregos e dinamização da economia.
Fonte: Portal Massa Cinzenta – Cimento Itambé
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