Bancos cortam quase pela metade o crédito para construtoras em 2025, alerta Cbic

Apesar do crescimento das vendas de imóveis no país, o financiamento para a produção imobiliária segue em queda acentuada. Dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic) apontam que os bancos reduziram em 49% os empréstimos para construtoras entre janeiro e abril de 2025, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Se a tendência continuar, o ano deve terminar com apenas R$20 bilhões aplicados, frente aos R$50 bilhões de 2024.

O principal entrave, segundo a Cbic, é a retração nos recursos provenientes da caderneta de poupança — base do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). O saldo líquido da poupança vem encolhendo há anos e, apenas em maio de 2025, registrou uma saída líquida de R$10,3 bilhões. A Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias) avalia que o fenômeno reflete a crescente atratividade de outras modalidades de investimento.

“O crescimento da poupança é muito inferior à demanda habitacional e ao ritmo dos lançamentos,” afirma a entidade.

Segundo Ana Maria Castelo, da FGV/Ibre, há fatores conjunturais e estruturais por trás da retração. “Os agentes financeiros estão destinando o recurso de menor custo [poupança] para a aquisição e financiando a produção com recursos captados no mercado, de maior custo no cenário atual,” explica. “É possível que essa configuração transcenda o ciclo monetário.”

Apesar do cenário, a Caixa Econômica Federal afirma não ter restrições de funding para construtoras e alega crescimento na concessão de crédito à produção no primeiro trimestre. Para Marcos Brasiliano Rosa, vice-presidente de finanças da Caixa, a queda apontada pela Cbic pode ter sido influenciada por comparações sazonais. “Na Caixa, houve crescimento significativo na linha de financiamento à produção na comparação entre os primeiros trimestres de 2024 e 2025,” diz.

Segundo o banco, foram concedidos R$186,3 bilhões em financiamentos para produção entre 2020 e 2024, sendo R$51,6 bilhões apenas no ano passado. No entanto, a Cbic ressalta que a maior retração ocorre entre os bancos privados, que dependem fortemente da poupança e já estariam próximos do limite legal de aplicação desses recursos.

O setor vê com preocupação esse encolhimento, especialmente em um momento de alta nas vendas — o mercado cresceu 15% no primeiro trimestre. Além da redução no crédito, os critérios de aprovação de novos projetos se tornaram mais rígidos, o que pode gerar gargalos futuros.

Para compensar a queda da poupança, o mercado busca outras fontes, como LCIs, CRIs e LIGs. O estoque de LCIs já ultrapassa R$427 bilhões, tornando-se a principal fonte de novos financiamentos. Contudo, a possível tributação das LCIs pode ameaçar esse avanço.

“É fundamental garantir a isenção tributária da LCI, que vem se tornando uma das principais fontes de funding para o SBPE,” alerta Luiz França, presidente da Abrainc.

A entidade estima que o fim da isenção pode afastar investidores e encarecer os financiamentos. Embora reconheça a importância dos instrumentos de mercado, a Cbic afirma que eles “encareceram sobremaneira os custos dos novos empreendimentos.” A entidade sugere medidas como a redução do depósito compulsório da poupança, que hoje retém R$ 150 bilhões.

A Abrainc, por sua vez, defende a ampliação da exigibilidade da poupança para crédito imobiliário — de 65% para 70% — e propõe o fim do saque-aniversário do FGTS, além da criação de LCIs institucionais voltadas a grandes investidores.

“Não existe bala de prata para o financiamento habitacional,” reconhece a Cbic. Mas sem alternativas estruturais, o risco é comprometer o ritmo de lançamentos e o atendimento à demanda crescente da população.

Fonte: Papo Imobiliário

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