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26

Jun 2019

Segurança não depende da fiscalização, mas em assumir a responsabilidade

Em abril, aconteceu o V Encontro Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção, em Brasília, realizado […]

Em abril, aconteceu o V Encontro Nacional de Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção, em Brasília, realizado pela CBIC, com a correalização do Sesi Nacional.

O evento reuniu empresários e profissionais de Saúde e Segurança no Trabalho, representantes da Fiscalização do Trabalho e de órgãos de governo ligados à SST e profissionais da imprensa.

A ALEC, há muitos anos, investe em divulgar e fortalecer a importância do cumprimento das normas de segurança na construção civil junto às locadoras, integrando, inclusive, o CPR – Comitê Permanente Regional que discute normas de segurança na construção civil.

No tocante às empresas de locação, a orientação da Associação é alugar todos os equipamentos sempre de acordo com as normas de segurança, independentemente da fiscalização. Não é necessário estar sob o risco da visita surpresa de um fiscal, mas de pensar amplamente, entender o risco que isso traz a vida de uma ou mais pessoas e do prejuízo em cadeia que ocorre depois de um acidente.

Investir em segurança na construção civil, não é custo, mas investimento.

No evento foram realizados vários painéis. O primeiro tratou sobre Indicadores em Segurança e Saúde no Trabalho em que foram apresentadas as Estatísticas de Acidentes de Trabalho na Indústria da Construção. Segundo indicadores, entre 2012 e 2017, o setor da construção registrou redução no número absoluto de acidentes de trabalho, mas os acidentes de trajeto continuam sendo considerados acidentes de trabalho.

O médico do trabalho Gustavo Nicolai destacou a ferramenta Construindo Segurança e Saúde, da CBIC e Sesi, pela qual é possível mensurar o impacto financeiro dos acidentes de trabalho às empresas.

Na questão das Diretrizes para a Medição de Desempenho em Segurança e Saúde no Trabalho na Indústria da Construção, a engenheira civil Camila Campos Gomes Fama, reforçou a importância do sistema de medição de desempenho, tanto com indicadores reativos quanto pró-ativo ser utilizado para evitar problemas.


O segundo painel tratou sobre Segurança e Produtividade, abordando conceitos fundamentais relacionados ao tema, discutindo os impactos dos investimentos em Saúde e Segurança do Trabalho (SST) sobre o conjunto da economia e sobre a produtividade das empresas da construção civil.

Foi reforçada a necessidade da implantação de uma cultura de segurança nas empresas de forma a mitigar a ocorrência de eventos que resultem em acidentes de trabalho.

O economista Luís Fernando Melo Mendes explicou que as exceções que ocorreram no Brasil nos últimos anos se deram a partir de empresas de menor porte no segmento de serviços de construção – em alguns casos, sem nível adequado de qualificação e sem comprometimento com a capacitação em SST do trabalhador – que puxaram para baixo a produtividade do setor, diferentemente do que fizeram os segmentos infraestrutura e construção de edifícios, por exemplo, onde os cuidados com SST estão mais consolidados. “Essa foi uma questão que identificamos: uma razão para uma eventual menor produtividade pode ser a falta de treinamento e formação num segmento específico”, frisou.

A engenheira de SST, Lígia Correa lembrou que nos primórdios da administração, a produtividade era imputada ao indivíduo, mas hoje, do ponto de vista de planejamento de uma obra, “ter uma política de SST implantada evita desperdícios, adoecimento do trabalhador e ajuda a garantir o resultado principal, que é a entrega da obra”, destacou.

Para Haruo Ishikawa, presidente do SECONCI-SP não dá para dissociar a produtividade e a saúde e a segurança do trabalhador. “A SST está muito ligada à produtividade. Não se pode dissociar. Estou há dois anos no Seconci-SP, trabalho com 3,5 mil médicos e cada vez mais constato que o mais importante de tudo num país como o nosso é investir na saúde das pessoas”, defendeu.


No terceiro painel, Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho foi apresentada como deve ser tratada a gestão de SST em um país em que mesmo que haja treinamento, por parte do setor empresarial, se o trabalhador fizer errado toda a responsabilização cai para o empresário.

O engenheiro Civil Jófilo Moreira Lima Junior disse que “a grande questão da gestão é o comprometimento”. Na sua visão, “o sistema de gestão deve definir claramente a questão da responsabilidade, prevenir risco dos trabalhadores e melhorar o desempenho. O que produz resultado é o compromisso. Se tem um único risco, ele tem que ser gerenciado”, alerta.

Dado às políticas atuais, que impõem desafios a micro, pequenas empresas e MEI na área do Trabalho em Altura, o auditor Fiscal do Trabalho, Luís Carlos Lumbreras, destacou a importância do Sebrae estar presente aos debates. Apontou também a necessidade de ações de revisão de normas; criação de ferramentas e plataformas pelo governo para inserção de informações e elaboração de guias de como implementar ações do que pode ser feito no mercado de trabalho. “Ferramentas poderiam ajudar os empresários e aumentar a produtividade”.

Fernando Guedes, vice-presidente de Relações Trabalhistas da CBIC, ressaltou que investir em SST aumenta a eficiência da empresa. Sobre a terceirização, reforçou que pela nova lei, o descumprimento de qualquer norma é de responsabilidade das duas empresas. “Elas devem trabalhar conjuntamente a Gestão de Segurança e Saúde no Trabalho”.

Sobre a gestão dos equipamentos de proteção coletiva para o trabalho em altura, o engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho, Wilson Roberto Simon, sugeriu a elaboração de um inventário de todos os momentos em que os trabalhadores estarão expostos ao risco de queda e aí definir os equipamentos que serão necessários.

Já sobre o Equipamento de Proteção Individual (EPI) para trabalho em altura, a engenheira de SST do Seconci-MG, Andreia Kaucher Darmstadter, mencionou a importância das empresas se inteirarem sobre as zonas de perigo da obra. “Muitas empresas ainda não sabem o que comprar e porque comprar”.


No último painel do evento, Inovações Tecnológicas, a engenheira de materiais de produção e de SST, Franciele Boeng Mendes, elencou os desafios encontrados no monitoramento do ambiente de trabalho, como wi-fi e custos com a tecnologia. Aproveitou para alertar que não é porque o ambiente está sendo monitorado que o acidente pode não acontecer. “Precisa mudar a cultura. A tecnologia só vem auxiliar a tomada de decisão, para, de forma mais rápida, preservar a vida do trabalhador”.

A engenheira civil, especialista em Desenvolvimento Industrial pelo Sesi Nacional, Renata Rezio e Silva, destacou a importância de usar o BIM em SST. “Ele permite identificar como serão os processos construtivos. É uma mudança de cultura da organização. Todos os envolvidos têm que estar envolvidos”. Renata Rezio destacou que a ideia de utilizar o BIM em SST é fazer simulações para identificar, dentro do processo construtivo, quais são os perigos e ter ferramentas que emitam avisos registrados nos processos. “Se a ferramenta não consegue propor uma solução para eliminar o perigo, consegue, de forma antecipada, comunicar o trabalhador sobre a atividade que será executada e implantar medida de controle”. A solução está em desenvolvimento no Centro de Inovação do Sesi de Mato Grosso do Sul.

Já a engenheira civil, Rafaela Oliveira Rey, apontou os desafios da utilização do Drone na inspeção de segurança. Citou como possíveis barreiras a questão meteorológica e as altas construções e/ou fios da rede elétrica próximas ao canteiro de obras.

O coordenador nacional dos Centros de Inovação do Sesi, Thiago Yhudi Taho, reforçou a importância das empresas redobrarem o monitorando de cenários possíveis para um ambiente de trabalho mais seguro.

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