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05

Fev 2018

PORQUÊ, PRA QUÊ, POR QUEM: Uma conversa prática sobre propósito

No complexo momento que o Brasil atravessa, que impacta a vida de indivíduos e organizações na forma de ‘crise econômica’, […]

No complexo momento que o Brasil atravessa, que impacta a vida de indivíduos e organizações na forma de ‘crise econômica’, a discussão sobre Propósito ganha mais força do que nunca, estando na mesa de muitas organizações entre as ordens do dia. A razão é simples: as limitações econômicas representam apenas o desdobramento de uma crise um tanto quanto maior, relacionada à ausência de lideranças efetivas e da consequente diluições dos Valores, fomentada pelo difuso debate político que se estabeleceu e pela quase inexistência de projetos em educação e desenvolvimento que sejam não apenas consistentes na sua concepção, mas, principalmente, sustentáveis no médio e longo prazo.

Educação torna-se, então, porta de entrada e de saída para os nossos problemas e, na ausência da política pública, o esforço das organizações de trabalho, que herdam grande parte da deficiência da educação formal, torna-se ainda mais importante neste cenário de reconstrução a partir dos ‘escombros’.

Um assunto que tornou-se urgente
Neste cenário, a discussão do tema Propósito nas organizações tornou-se inevitável. O assunto que há alguns anos era tratado dentro de uma perspectiva romântica, de aspirações futuras, entrou em status de urgência por uma verdadeira questão de sobrevivência. Afinal, é a partir do Propósito e do mapeamento concreto de valores, que a sociedade brasileira sairá destes escombros. E o papel das empresas, instituições que, pela sua natureza empreendedora, precisam tomar decisões rápidas e agir, é essencial para a reconstrução social.

Logo, é preciso fortalecê-las internamente para que atravessem o maremoto da crise, minimizando os riscos e perdas a partir da criação de relações mais profundas e congruentes entre os objetivos pessoais de cada funcionário e a missão da própria organização.

O resgate dos Valores Humanos Essenciais, ancorados nos conceitos de Ética e Moral, bem como seu espelhamento nos Valores Corporativos, seguidos da sua transformação em atitudes reais, tem sido uma busca constante entre lideranças de diversos setores e níveis de influência dentro das organizações, orientando este esforço para a construção de uma consciência e um engajamento maiores com suas equipes, trazendo para o centro da discussão o sentido prático da expressão ‘razão social’, que deve ir muito além do nome jurídico da organização.

Pessoas com Propósito criam organizações com Propósito
O compartilhamento e o desenvolvimento do time a partir da tríade ‘porquê, pra quê e por quem fazemos o que fazemos” são fatores que ajudarão empresários, gestores de equipes, educadores, lideranças e todos aqueles que lidam com pessoas a atravessar os efeitos da crise de forma senão mais segura, ao menos mais lastreada, orientada e convergente com os princípios que, um dia, formaram a empresa:

1 – sua História, justificando seus Valores;
2 – seu Propósito, justificando sua Missão;
2 – seu Legado, justificando sua Visão.

Ajudar cada colaborador a perceber os ‘pontos de contato’ que existem entre sua própria ‘jornada do herói’ e a jornada da organização será um fator de sucesso, facilitando o tão desejado movimento de convergência entre objetivos pessoais e corporativos que impacta diretamente o nível de motivação, autoliderança e protagonismo do time.

Logo, é preciso colocar luz sobre o assunto Propósito nas empresas de forma responsável, indo além das abordagens superficiais promovidas pela mídia acerca do assunto. Abordagens que ainda insistem em atribuir a existência de Propósito apenas à iniciativas que defendem causas sociais ou ambientais, ou ainda à empresas de matriz artesanal ou baseadas em relações de trabalho alternativas ao modelo que ainda prevalece na maior parte das organizações brasileiras.

Toda e qualquer Organização, independente de tamanho ou setor, precisa colocar o Propósito no seu devido lugar: os corações e mentes de todos que as tornam uma realidade, que são seus colaboradores, seus parceiros e  comunidade que impacta. E iniciando este processo pelos seus principais vetores de influência: suas lideranças, sejam elas estratégicas, táticas ou operacionais.

Organizações com Propósito criam uma sociedade com Propósito
A justificativa para este esforço é simples: assegurar não apenas a própria sobrevivência diante de uma nova ordem que começa a ser construída, mas também ser protagonista ativo dessa construção. Ou seja: tendo não apenas uma causa, mas também sendo a causa.

O ônus da deficiente formação técnica e humana provida pelo Estado, bem como da educação provida por famílias cada vez mais ausentes, recaem inevitavelmente no colo das organizações, impactando diretamente sua performance e seus indicadores. Cabe então, pela própria sobrevivência, assumir o papel de (re)educadora, ajudando o indivíduo a mapear e descobrir sua própria causa, desenvolvendo-o para ir além da tarefa de mero ‘pagador de contas’ ao final do mês e também a construir um propósito que motive-o ao próprio desenvolvimento de forma consciente, madura e intensa, construindo uma curva consistente de resultados que, como um dos efeitos, também o ajudará a ‘pagar as contas’.

Independente daquilo que se faz, ao fazermos orientados por ‘um porquê, um pra quê e um por quem’ claros e transparentes, a relação com o trabalho torna-se cada mais efetiva e feliz, constituindo-se em fator de sucesso para a construção de uma sociedade mais pautada em ética,  valores e genuinamente sustentável e produtiva.


Eduardo Zugaib é profissional de comunicação e desenvolvimento humano, escritor e palestrante. Autor do livro e metodologia “A Revolução do Pouquinho – Pequenas Atitudes provocam Grandes Transformações” (2014) o de “O fantástico significado da palavra Significado” (2016) – www.revolucaodopouquinho.com.br

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