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23

Mai 2018

Investir em saúde e segurança do trabalho dá lucro

Com o objetivo de debater o tema “Segurança e saúde do trabalho: custo ou investimento? ”, o Seconci-SP (Serviço Social […]

Com o objetivo de debater o tema “Segurança e saúde do trabalho: custo ou investimento? ”, o Seconci-SP (Serviço Social da Construção Civil do Estado de São Paulo), trouxe o dr. Gustavo Nicolai, do Sesi Nacional, que desenvolve tese de mestrado em “Custos de acidente de trabalho”, na Itália, especialmente para uma palestra.

Realizada em 18 de abril, pelo Instituto de Ensino e Pesquisa Armênio Crestana (Ipeac) e pela Gerência de Relações com o Mercado do Seconci-SP, a palestra foi assistida pelo Grupo de Trabalho de empresas da construção civil, organizado pela entidade para dimensionar a relação entre saúde e segurança do trabalho e produtividade.

Haruo Ishikawa, presidente da entidade, abriu o evento com um panorama do mercado da construção civil e a importância da atenção ao trabalhador. “São Paulo detém de 40% do total da construção do País e o Seconci –SP possui um time para lidar com suas demandas. Investir em segurança dá lucro, e assim a empresa que tem esta compreensão tende a ganhar”, enfatiza Ishikawa.

O dr. Nicolai mostrou que a não-prevenção de acidentes custa muito mais do que as empresas percebem, elevando o valor do Seguro de Acidentes do Trabalho, obrigando-as a seguir retendo o FGTS do trabalhador afastado e arcando com os custos de sua estabilidade no retorno ao trabalho, da eventual judicialização do episódio e das ações regressivas que o INSS vem movendo. Ele explica que as organizações enfrentam o desafio de entender quais os valores causados pelos afastamentos, e que análises e cálculos anuais baseados nos números de casos, tempo de afastamento de acordo com a gravidade e valor dos benefícios pagos ajudam a tornar o problema visível para a alta direção.

“O acidente não deve ser tratado como a causa, e sim como a consequência que indica algo de errado no processo. Muitas vezes, a energia gasta está voltada para a vigilância, quando deveria estar na prevenção. Como por exemplo, na realização de exames para monitorar a saúde do trabalhador”, esclarece o médico.

Faz parte da sustentabilidade do negócio uma área responsável pela saúde e segurança que apresenta bons resultados a partir do controle e prevenção. O simulador Construindo Segurança & Saúde (CBIC) é uma ferramenta utilizada para cálculos deste tipo de despesas que permite uma maior compreensão sobre as normas que regem as ocorrências. “As análises dos valores utilizados por acidentes impressionam. Os custos são altos tanto para empresas pequenas, como para médias e grandes, uma vez que os prejuízos se tornam proporcionais ao seu tamanho”, comenta Nicolai.

Ao perceber a dimensão do trabalho, a área de saúde e segurança evoluiu nos últimos tempos: está estruturada, com gerência e diretoria, e atua diretamente ligada às estratégias e metas de mercado. “Uma reflexão importante a ser feita é considerar um percentual de investimentos voltados para esta área nos orçamentos dos produtos e serviços apresentados aos clientes. Diante disso, saber onde e como investir, como contratação de técnicos ou treinamentos e capacitações de equipe”, pondera.

As decisões e a falta de conhecimento de gestores influenciam de forma negativa nos negócios, já que os gastos podem ser diretos ou indiretos, desde o primeiro atendimento, tratamento, reabilitação e estabilidade do colaborador, até ações trabalhistas, reorganização de área, perda de matéria-prima ou de qualidade, danos a terceiros entre outros.

Exemplificando, o dr. Nicolai mostrou um caso real em que dez trabalhadores de uma empresa foram afastados por queimaduras sofridas ao realizarem a concretagem de uma laje sem calçarem botas de segurança. No total de todos os custos diretos e indiretos, a construtora teve um gasto adicional de R$ 400 mil. Diante disso, também recomendou que as empresas não economizem em saúde e segurança do trabalho, treinamentos e equipamentos de proteção individual de qualidade.

Vale ressaltar que a percepção de risco pode ser benéfica para melhoria de produtividade, redução de gastos com incidentes e motivação dos colaboradores. Já as consequências são danos a vida humana, ao meio ambiente e ao negócio como todo.

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