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08

Nov 2017

Entrevista com José Romeu Ferraz Neto, presidente do Sinduscon-SP

Para ter uma noção do que o segmento de construção civil espera para 2018, a revista RENTAL NEWS entrevistou o […]

Para ter uma noção do que o segmento de construção civil espera para 2018, a revista RENTAL NEWS entrevistou o presidente do Sinduscon-SP, José Romeu Ferraz Neto, que compartilhou um balanço de 2017, dados e expectativas para o setor para o próximo ano. Estas informações são valiosas para traçar estratégias de locação para os meses que se seguem.

1 – Houve algum crescimento no setor de construção civil até agora comparando com 2016?
R.: Não. O que estamos verificando é uma redução gradual da queda, na comparação com 2016. Em 2017, o INACC (Índice Nacional de Atividade da Construção Civil) acumulava queda de 9,3% até agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado. Mas em relação a agosto de 2016, a queda reduzia-se a 4,78%.

O nível de utilização da capacidade do setor, que havia chegado a 61% em junho, começou a se recuperar e estava em 65,6% em setembro. A mesma ligeira recuperação aparece nos Índices de Confiança, de Situação Atual e de Expectativas da Construção, nas sondagens feitas pela FGV.

Uma recuperação mais forte está no mercado imobiliário da cidade de São Paulo: as 10.991 unidades vendidas neste ano até agosto representam um aumento acumulado de 20,8% no ano, enquanto as unidades vendidas naquele mês ficaram 73% acima na comparação com agosto do ano passado. Esses números, entretanto, precisam ser vistos com cautela, uma vez que incluem revendas de unidades distratadas (devolvidas pelos compradores às construtoras/incorporadoras).

As vendas nacionais das grandes incorporadoras de janeiro a julho evoluíram apenas 0,7%, na comparação com o mesmo período de 2016, sendo “puxadas” pelas unidades habitacionais vendidas no âmbito do Programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). Já na Região Metropolitana de São Paulo, as vendas imobiliárias ainda registram queda.

2 – E em relação ao número de vagas no setor? Houve queda/crescimento? Qual percentual quando comparado ao mesmo período do ano passado?
R.: A queda no emprego continua, embora também em ritmo menor que antes. Na comparação do período janeiro-agosto de 2017 com o mesmo período de 2016, o emprego na construção brasileira acumulava redução de 12,25%, mas na comparação de agosto deste ano com o mesmo mês do ano passado, de 9,5%.

3 – Se houve queda, há alguma expectativa de retomada nos empregos para o próximo ano? Há alguma projeção em percentual?
R.: A projeção para 2017 é de uma queda de 11% no nível de emprego na indústria da construção. Ainda não temos projeção para 2018.

4 – O governo vem anunciando alguns investimentos como, por exemplo, o trecho Norte do Rodoanel, e mais de R$ 1,3 bilhão em planos de saneamento. As vendas de materiais de construção, segundo a Anamaco, vêm esboçando uma reação. O setor de locação de equipamentos, a linha leve, ainda não sentiu isso. Como está o mercado de construção civil como um todo? Quais são as expectativas para 2018?
R.: Investimentos como os do trecho Norte do Rodoanel e em planos de saneamento ainda vão demorar para se transformarem em obras. Estas deverão se iniciar no ano que vem e, com mais força, em 2019.

Já as vendas de materiais de construção vêm registrando uma recuperação mais acelerada. Até agosto, o comércio varejista deste setor registrava aumento de 6,5% na comparação com o mesmo período de 2016, e aumento de 12,6%, na comparação de agosto com o mesmo mês do ano passado. Entretanto, esse aumento vem do chamado “consumo formiguinha”, famílias que fazem reforma ou autoconstrução.

O mercado de construção como um todo ainda está em recessão, embora os indicadores mostrem que possivelmente o pior já passou. As expectativas para 2018 ainda são incertas. Tanto pode ocorrer o prosseguimento desta lenta recuperação, mas sem um crescimento robusto, como também podem ocorrer novas oscilações para cima e para baixo no desempenho da construção, mesmo com um crescimento da economia.

5– Vocês esperam uma retomada das obras, não de lançamentos, a partir de quando e por que?
R.: Uma retomada mais firme das obras deverá ocorrer em 2019, se em 2018 se confirmar uma sinalização firme de recuperação do equilíbrio nas contas públicas via reformas, de maior disponibilidade de recursos públicos para investimentos em infraestrutura e habitação popular, e de intensificação das concessões e parcerias público-privadas – tudo o que esperávamos que aconteceria em 2017 e não ocorreu.

6 – A locação de equipamentos representa menos de 2% do valor total da obra. Para vocês, como o setor de rental pode se preparar para atender melhor os construtores?
R.: Excelente pergunta! A construção precisará incrementar o processo de sua industrialização para elevar sua competitividade e sua produtividade. Para tanto, deverá intensificar o uso de equipamentos, tanto os manuais como os de grande porte.

É fundamental que esses equipamentos respeitem todas as normas técnicas e as Normas Regulamentadoras do Ministério do Trabalho. Por exemplo, devem ter dispositivos de desligamento automático na queda de energia, dupla isolação nas ferramentas manuais etc. As ferramentas e equipamentos devem ser seguros na sua utilização.

Há muitos equipamentos utilizados no exterior que ainda não chegaram aqui, ou se chegaram, não são difundidos ou não estão disponíveis para a locação. Por exemplo, as ferramentas manuais a bateria. Seria importante disponibilizá-las.

Também é preciso que o sistema de reposição de um equipamento que apresente algum defeito seja muito ágil.

Penso que o setor de locação de equipamentos poderia atender muito melhor a construção se, além do serviço de locação simples, tivesse estrutura técnica para auxiliar as construtoras na tomada de decisão sobre qual equipamento alugar.

No caso de equipamentos de elevação de materiais e de pessoas são poucas as empresas com capacidade de auxiliar as construtoras a dimensionar a capacidade que deve ter o equipamento e o número deles necessário para atender a logística e o prazo da obra.

Também nos ressentimos da falta de estrutura técnica das locadoras de misturadores de argamassa para estabelecer a correlação entre o produto que precisa ser misturado e a energia do equipamento necessária. Nem todos os equipamentos de mistura possuem sistema de timer, item muito simples mas essencial para a mistura adequada das argamassas.

7- Como o SindusCon-SP vê os possíveis impactos de novos escândalos políticos no cenário da construção para o final deste ano e o 1º semestre de 18?
R.: Com preocupação. Os escândalos postergaram a tramitação das reformas. E com a proximidade das eleições, ficará cada vez mais difícil aprová-las, especialmente a da Previdência, por ser impopular.

Precisaremos redobrar a vigilância sobre as fontes de financiamento para o setor, especialmente o FGTS, sempre ameaçado de ter seus recursos desviados para outras finalidades que não habitação, saneamento e infraestrutura urbana.

Ao mesmo tempo, novos recursos para o financiamento imobiliário poderão vir da recém-criada LIG (Letra Imobiliária Garantida), ao mesmo tempo em que a confiança das famílias e dos investidores tenderá a crescer, na medida em que a inflação e os juros permanecerem baixos, estimulando investimentos na construção.

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