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23

Jan 2020

O Rental brasileiro vai decolar

O GPA (Government Procurement Agreement), agora com a participação do Brasil, teve anunciada em Davos, pelo Ministro Paulo Guedes, a abertura do mercado brasileiro para compras governamentais na área de bens e serviços e em obras de construção civil. Um mercado, de acordo com o próprio comitê do GPA, que movimenta U$ 1,7 trilhão. E daí?

E daí é que o Rental Business brasileiro para Máquinas e Equipamentos entrará, nessa carona, numa decolagem maior que a do início do milênio. E daí (de novo)? E daí é que teremos de correr, muito, desesperadamente, para nos preparar.

A razão é uma só: os Empreiteiros estrangeiros, em condições de fazer obras no exterior, TODOS ELES, sem exceção, são usuários dos Rental Services existentes, disponíveis nos países em que operam. Dependem do aluguel como o ar que respiram. Todos já chegaram a essa conclusão, há algumas décadas, por diversos métodos, a maioria empíricos (como são os critérios que alavancaram a rental industry desde seu início).

10 RAZÕES PORQUE OS EMPREITEIROS ESTRANGEIROS PREFEREM ALUGAR AO INVÉS DE ADQUIRIR

1- O Empreiteiro, com um leque de opções de equipamentos disponíveis nos Rentals, pode participar de QUALQUER tipo de obra, não só daquelas quando tinha máquinas próprias para atender às necessidades

2- Ter a adequação do equipamento correto, exato e ajustado às necessidades da obra

3- Utilizar os equipamentos SOMENTE na fase da obra em que são necessários

4- Não são responsáveis pela manutenção (não tendo obrigação de estocar óleos, peças, ferramentas, ter mecânicos treinados, dispositivos eletrônicos, etc.)

5- Não são responsáveis pelo armazenamento dos equipamentos e a manutenção de um depósito para eles

6- Não são responsáveis pelos transportes antes, durante e depois da obra

7- Têm disponíveis equipamentos de última geração, muitas vezes com zero hora de uso e recheados de tecnologia embarcada e tele-comandada

8- Têm os equipamentos praticamente ´on time´, na hora em que necessitam

9- Gozam de benefícios fiscais (aluguéis são ´despesas´ e, como tais, diminuem os impostos incidentes sobre o lucro)

10- Não sofrem os ´custos da depreciação´ dos equipamentos, e nem precisam se preocupar em vender seus ativos usados e muitos deles já sucateados

A causa evidente dessa “revolução industrial” do Aluguel é a Economia. Desde a última crise econômica mundial vimos claramente o setor de aluguel crescer. Durante ela, e de lá para cá, os Empreiteiros hesitaram em fazer compras e sucatearam o velho e secular hábito da Posse. Mundialmente, a cultura do “Ter” foi sendo substituída pela do “Usufruir”. Assim, a ideia do Aluguel encontrou mais conforto na cabeça das pessoas, em geral, e especificamente dos Empreiteiros, até pela flexibilidade financeira interna de suas necessidades (podendo direcionar recursos para seus objetivos-fim) e redução de seus riscos ao assumir uma empreitada.

Por outro lado, não nos esqueçamos, nunca, que 70% das decisões, nos dias atuais, dentro de empresas atuando em quaisquer tipos de mercados (incluindo os Empreiteiros de obras), advêm de gestores da faixa etária entre 30 e 40 anos. Estes só andam de Uber e similares, compram tudo – até comidas- por aplicativos, jamais entram em bancos, farmácias ou supermercados, não ficam em filas de cinema, nem em check-in de aeroportos, a maioria mora em imóveis alugados e direciona seus investimentos em ativos financeiros. Conheço o escritório central de um grande Contractor (empreiteiro) na Georgia (USA), onde o Presidente tem 39 anos e lá TUDO é alugado, desde aparelhos de ar condicionado, até mesas, cadeiras, computadores, vasos de plantas (naturais), até logicamente o prédio.

Vai daí, privilegiam, sempre, a PRATICIDADE. E o Rental, acima de tudo, é prático.

CONSIDERAÇÕES SOBRE ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS DE CONSTRUÇÃO DE ALTO VALOR AGREGADO

É aceitável e compreensível que equipamentos manuais e máquinas pequenas e médias para Construção Civil continuem sendo alugadas, como sempre foram. Até porque existe uma infinidade de pequenos Rentals recheados de ofertas desses tipos de equipamentos. O Empreiteiro pequeno, médio ou grande, sempre os alugou e os alugará. Porque o Rental Rate (taxa de aluguel), que é função dos custos das máquinas, é pequeno, e os benefícios que essas máquinas específicas trazem são enormes. Além do que quebram com mais facilidade que máquinas pesadas e… são roubadas com mais frequência. Então, alugar é a solução.

Mas, relativamente a máquinas grandes, pesadas, a conversa é outra. Há que se pensar mais, porque TODOS os custos são enormes.De aquisição, transporte, manutenção e também de aluguel. A grosso modo, a conta feita, é que se o equipamento tiver >70% de utilização numa obra, deve ser adquirido. Menos, deve ser alugado. Pouquíssimas máquinas têm esse nível de utilização, ao longo de uma obra. Elas atendem às fases, e estas são muito variadas, no contexto geral dos serviços. PRINCIPALMENTE NO CASO DE EMPREITEIROS ESTRANGEIROS, que farão as obras no Brasil e irão embora, aí mesmo é que opção do ALUGUEL torna-se ÚNICA. Estamos nos referindo a itens de grande porte, como escavadeiras, tratores de esteiras, carregadeiras de rodas, moto-scrapers, motoniveladoras, só para citar alguns.

TENDÊNCIAS TECNOLÓGICAS NA INDÚSTRIA DE ALUGUEL DE EQUIPAMENTOS

A Indústria de Aluguel de máquinas para construção introduziu uma série de novas tecnologias, embarcadas e à distância, by GPS, desde a instrumentação digital de controle e desempenho no próprio equipamento até a forma como os contratados solicitam uma unidade. Nisso tudo, os “sobreviventes” terão de se ajustar, para suprir o novo mercado que se avizinha.

Nos últimos tempos essa inteligência artificial embarcada e tele-controlada pode ser usufruída quando se aluga uma máquina nova rastreada através da telemática – que dispõe maneiras de reduzir os custos gerais do local de trabalho, obter produtividade, acompanhar o comportamento do operador, identificar necessidade de treinamento, etc.. Obviamente tudo isso é pesado e analisado para a decisão de aluguel versus compra. Muitos fabricantes estão oferecendo Telemática como parte de um pacote integrante em máquinas novas, como Cat, Volvo e outras, e o valor de longo prazo ganho em uma máquina por meio dessa inteligência é incrivelmente grande.

Disso tudo, fica óbvio que os players desse Rental Business brasileiros terão de correr contra o relógio. O que já existe lá fora, e que os empreiteiros estrangeiros estão habituados, está séculos à frente de nossa esquálida Indústria de Rental, bombardeada, vilipendiada, sufocada pela tremenda crise brasileira que massacrou os participantes do mercado, de 2014 para cá. Os poucos que sobraram estão tentando juntar os cacos e, heroicamente, se reestruturar. Alguns estão conseguindo e, a eles, nossa justa homenagem.

No mais, é apostar na capacidade de superação do empresário brasileiro, principalmente os que atuam na área de Rental Services. Pessoalmente, tenho absoluta certeza que os empreiteiros estrangeiros terão uma enorme e agradável surpresa.

CELSO KUNTZ-NAVARRO

SCRIPT INTERNATIONAL, LLC

LatAm BUSINESS DIRECTOR

 

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