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05

Jan 2021

Apesar de desabastecimento e com nível de atividade no mesmo patamar de 2007, construção foi setor que mais gerou empregos em 2020

Alta no preço dos insumos no período de janeiro a novembro foi de 17,72%, a maior do período pós-real. Números foram divulgados pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) em 17 de dezembro.

Brasília, 17/12/2020 – O Produto Interno Bruto (PIB) da construção civil no 3º trimestre de 2020 está no mesmo patamar do observado no início de 2007. As atividades do setor estão 36% abaixo do pico de 2014, quando atingiram seu melhor nível. Apesar disso, a construção foi o setor que mais gerou empregos no país nos primeiros dez meses de 2020, com a criação de 138.409 vagas formais, de acordo com dados do Ministério da Economia. Esse é o melhor resultado para o período desde 2013, quando a construção gerou 207.787 novas vagas.

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As informações foram apresentadas pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) nesta quinta-feira (16/12), durante coletiva de imprensa online para retrospectiva sobre o desempenho do setor em 2020 e projeções para 2021.

Na avaliação do presidente da entidade, José Carlos Martins, se o nível de atividade da construção estivesse em níveis mais elevados, certamente o país teria passado pela crise de outra maneira, com menos sofrimento. “As nossas atividades não foram paralisadas. Em março, imaginávamos que fecharíamos o ano com PIB negativo de até 11%. No entanto, vamos chegar ao fim do ano com projeção de redução de 2,8% e mais de 100 mil vagas geradas”, disse.

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Para que a avaliação se concretize, de acordo com Martins, é importante que os programas de concessões e os debates para reformas estruturantes tenham andamento tanto no Poder Executivo Federal quanto no Congresso Nacional. Medidas como a sanção da Lei 13.786/2018, a chamada Lei do Distrato Imobiliário, o Novo Marco do Saneamento e o lançamento do programa Casa Verde e Amarela também contribuem para o cenário favorável para 2021.

Pandemia e desabastecimento

Desde o início da pandemia de covid-19, a indústria da construção ganhou destaque pela rápida adoção de práticas de segurança e proteção sanitária de seus trabalhadores. Na avaliação da CBIC, foi uma grande vitória setorial. A entidade instrumentalizou associados, que discutiram em termos locais, em todo o país, a necessidade de manutenção dos empregos, atendendo a todas as recomendações e protocolos sanitários. “Ao prestigiarmos o nosso trabalhador, tivemos resultado social e humano. O retorno econômico veio como consequência”, avaliou o presidente da entidade.

Outro grande desafio para o setor em 2020 foi o desabastecimento. Na visão dos empresários da construção, conforme sondagem realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o apoio da CBIC, o principal problema que eles enfrentaram no 3º trimestre do ano foi a falta ou o alto custo de matéria-prima, com 39,2% das assinalações.

De acordo com o INCC-Materiais e Equipamentos, calculado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a alta de preços no período de janeiro a novembro foi de 17,72%, a maior do período pós-real. Alguns insumos chegaram a registrar aumentos superiores a 50% no mesmo período.

Investimento

No 3º trimestre de 2020, a taxa de investimento do Brasil em relação ao seu PIB foi de 16,2%. Em outros países, ela é bem superior. China, Espanha, Austrália, Canadá, Chile, França e Uruguai já apresentaram, por exemplo, taxas de 42,84%, 20,02%, 23,31%, 22,1%, 22,44%, 23,63% e 17,18%, respectivamente.

Na última década (2010-2019), a construção foi responsável por cerca de 50% dos investimentos no Brasil. Em 2019, esse número foi de cerca de 44%.

Na avaliação da CBIC, o Brasil precisa solidificar o crescimento pelo investimento. Ieda Vasconcelos, economista da entidade, destaca que quando a taxa de investimento do Brasil foi superior a 21%, a construção civil participava com mais de 50% dessa taxa. “A taxa de investimento, para melhorar, precisa necessariamente passar pelo setor da construção civil”, afirmou.

A CBIC também apresentou uma análise da Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) de Brasil, Canadá, Portugal, Colômbia, Espanha, Israel e México, verificando que é no Brasil que a construção tem a menor participação no indicador. No Canadá, a participação da construção na FBCF é de 69,25%, em Portugal 52%, na Colômbia 62,65%, na Espanha 49,87%, em Israel 53,16% e no México 55,69%.

No Brasil, a participação da construção na FBCF é de 44,16%. Assim, o país que possui a menor participação da construção na FBCF é, justamente, o país que também possui, nessa comparação, a menor taxa de investimento.

Expectativas e Projeções

De acordo com a Sondagem da Indústria da Construção, os empresários do setor possuem expectativas positivas para os próximos seis meses. Os resultados do trabalho sinalizam aumento na compra de insumos e geração de novas vagas. Os índices de expectativa também demonstram que os empresários estimam o aumento do nível de atividade e um maior volume de lançamentos de novos empreendimentos e serviços.

A perspectiva é que a economia brasileira encerre o ano de 2020 com queda de 4,41% no PIB. A retração aguardada para a construção no ano é de 2,8%. Para 2021, as expectativas para o país são positivas: é aguardada uma expansão de 3,5% para a economia brasileira. De acordo com projeções realizadas pela CBIC, a construção deverá incrementar 4% em seu PIB e, o que seria o maior crescimento do setor desde 2013 (4,5%). O risco para esse desempenho é o desabastecimento. “Com esse PIB, seriam abertas cerca de 150 mil novas vagas de trabalho. Estamos otimistas, mas conservadores”, disse Martins.

Fonte: CBIC

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